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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Sr. de Chimpanzé de Júlio Verne em Coimbra

Sinopse

A Drª Van Carcass é a eminente directora de um museu zoológico. Por entre os animais empalhados que constituem o fabuloso acervo do seu museu dá uma atenção especial à sua filha Etamine, uma pequena jovem inocente, para a qual procura um marido.

Etamine está apaixonada por Isidore, um namorado que a Drª Van Carcass repudia. Para conseguir entrar no museu e aproximar-se da sua amada, Isidore encontra um estratagema invulgar: coloca-se na pele de um chimpanzé que Van Carcass aguardava no museu.

Mas Van Carcass tem um criado, Baptiste, também ele apaixonado pela bela Etamine, que seguirá todos os passos do chimpanzé.

Será que Isidore irá ser desmascarado?







Ficha Artística e Técnica
Texto: Júlio Verne Elenco: Ana Rufino, Ângelo Tomé, Elisabete Augusto, João Costa, Patrick Materatski, Raquel Ferreira, Sara Trabulo, Sónia Duarte, Susana Rosa, Teresa Girão Tradução e encenação:Mário Montenegro Assistência de encenação e registo video: Alexandre Lemos Figurinos e adereços: Joana Cardoso Produção executiva: Marta Furtado

Não percam a evolução de Sr. de Chimpanzé no próximo dia 25 de Setembro, às 21h30 no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra.


segunda-feira, 13 de julho de 2009

Júlio Verne em Coimbra


O “Sr. de Chimpanzé” de Júlio Verne vai ser apresentado pelo Cientistas ao Palco em Coimbra.

Verne, enquanto autor teatral, não é muito conhecido da maioria das pessoas. No entanto a sua obra neste campo é algo extensa: 5 dramas históricos, 18 comédias e vaudevilles, 8 libretos para óperas-cómicas e operetas e 7 peças escritas a partir do conjunto das suas “Viagens Extraordinárias”. Ou seja, um total de 38 peças.

Sr. de Chimpanzé (“Monsieur de Chimpanzé”) é uma opereta em um acto com libreto de Júlio Verne e música de Aristide Hignard. Foi apresentada pela primeira vez no Théâtre des Bouffes Parisiens, no dia 17 de Fevereiro de 1858, e enquadrava-se perfeitamente na forma e no espírito das óperas cómicas que na época animavam aquela sala parisiense.

As personagens desta opereta são o Dr. Van Carcass, conservador do museu de Roterdão, a sua jovem filha Etamine, o jovem pretendente da filha, Isidore, e o criado para todo o serviço Baptiste. O enredo é simples e divertido, bem ao estilo deste tipo de obra: Van Carcass não autoriza o namoro da filha com Isidore. Este, para se encontrar com ela, mete-se na pele do chimpanzé que Van Carcass aguardava no museu. Uma vez lá dentro, da pele e do museu, as situações cómicas provocadas pelo estratagema de Isidore sucedem-se em catadupa.

A distância a que hoje estamos do momento em que a peça foi criada abre uma série de possíveis novas interpretações para determinadas situações que ali sucedem, como por exemplo no que se refere ao parentesco entre o homem e o chimpanzé ou os macacos, ou à relação existente entre patrão e criado que ali sugere uma especiação social que é comicamente acentuada pelas constantes invocações de Baptiste das suas origens aristocráticas espanholas.

Apesar de esta obra ter sido escrita cerca de dois anos antes da publicação de “A Origem das Espécies” de Charles Darwin, é pouco provável que Júlio Verne tivesse tido na altura conhecimento da teoria da evolução das espécies do naturalista inglês. Isto não nos impede, no entanto, - aliás quase somos compelidos – a apreciar esta peça com as ideias de Darwin a pairar na nossa cabeça.

Mário Montenegro