quinta-feira, 2 de julho de 2009

Ensaios de Teatro Fórum em Lisboa

Os cientistas ao fórum no palco do Fórum Lisboa (sim, adoramos pleonasmos)

terça-feira, 30 de junho de 2009

Repto aos não cientistas: o que acha que é isto de ser cientista?


Mostrámos como andámos a recrutar cientistas no ITQB (foi bem sucedido, ganhámos três com estas andanças), dos dilemas de ficar ou ir deste pouco plano país que é o nosso, as possibilidades de progressão na carreira dos bolseiros e a sua importância no desenvolvimento de novas empresas, e da necessidade da comunicação do trabalho científico.

Podem espreitar os ensaios do Teatro-fórum e a expressividade dos stand-upers, sentir a convocação dos bufões internos e pensar nas expectativas que há sobre o projecto de levarmos cientistas ao palco.

Já começámos a dissecar o que achamos que os outros acham de nós - mas na realidade o que queriamos mesmo era saber a sua opinião. O que acha que é isto de se ser cientista?

Temos uma ideia do que pensam ser a vida amorosa dos cientistas (já agora, alguma coisa a acrescentar?). Mas e o resto?

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Expectativas

A expressão da apresentadora do programa quando o David Marçal mencionou que os Cientistas ao Palco incluem Stand-up comedy representa quanto as pessoas acham surpreendente a possibilidade de investigadores terem piada. De fazerem teatro em geral, cómico em particular. De fazerem o que quer que seja fora da ciência, na realidade.

Os cientistas que sobem connosco ao palco não apenas têm tempo para os ensaios artísticos como se dedicam ao remo, canoagem, patinagem artística, danças latino-americanas, dança contemporânea, danças tradicionais, tai-chi, montar a cavalo e apanhar potros selvagens, escalada, natação e pilates. Cozinham para os amigos, mergulham até às profundezas do oceano ou sobem aos céus para cairem de pára-quedas. Para além de uma praticante de taekwondo pronta a criar-vos uma abertura especial para estes temas.

No entanto a maioria das pessoas mais facilmente estará à espera da inquisição espanhola que a vê-los brilhar.





A nossa principal arma é a surpresa; a supresa e a qualidade. As nossas principais armas são a surpresa, a qualidade dos espectáculos e a capacidade de entertenimento. Três, são três armas principais. Quatro, com o rigor científico. Temos quatro armas.

Quem dá mais?

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Cientistas ao Palco de Olhão

Em Olhão, os Cientistas irão subir ao Palco no Ria Shopping.

Das várias actividades a decorrer durante o grande dia de 25 de Setembro contam-se:
- Uma peça sobre as descobertas de Darwin, pelos te-Atrito
- Área de experiências temáticas
- Speed-dating com cientistas

Todos os cientistas/investigadores interessados em colaborar nestas actividades ou em propôr outras devem preencher a ficha de participação. Toda a informação aqui.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A CÓPULA INCAUTA

Ana Maria caminhava apressada, numa tensão nervosa que crescia à medida que se aproximava do laboratório. Do outro lado da porta, as leveduras aguardavam-na... Tinham estado todo o fim-de-semana em frenética cópula, mas ELA não tinha vindo... Prometera-lhes mundos e fundos, a ingrata, «far-vos-ei um digno portfólio!», dissera sorrindo enquanto barrava o agar, «as melhores de vós estarão na Nature!», garantira com afagos enquanto fechava as caixas de petri... Bah! Horas e horas de esforço, de tudo fazendo para que à meia-noite, quando Ana Maria chegasse ao laboratório, as pudesse confirmar, numerosas e belas, numa perfeita composição de lustrosos bolbos de amarelo desmaio... E NADA!


Ana Maria abriu a porta e um grito imenso lhe percorreu as entranhas. Todo o laboratório estava envolto numa grossa pasta amarelo vómito. A cientista escorregou na pegajosa pasta e caiu prostrada no chão. Ao ver o tecto coberto por numerosos bolbos disformes, balbuciou «perdoem-me! por favor perdoem-me! Era o meu aniversário de casamento!...». Os bolbos caíam cobrindo o seu corpo. Até que uma grossa postela se despegou do tecto e a silenciou.
(Rita Fouto)

As Paixões dos Cientistas... no Palco!

As artes são representações do real, não são o real. Mas que real é este que elas representam? Existem artes, como a música, que organizam o som e o silêncio, no tempo. Existem artes, como a pintura, que organizam a forma e a cor no espaço. E existem artes, como o teatro, que organizam acções humanas, no espaço e no tempo. Quais destas acções serão dignas da representação teatral? Evidentemente, só aquelas nas quais os seres humanos revelam as suas paixões. Mas... e o que é a Paixão? É cada um dos sentimentos extremos dos quais o ser humano é capaz. A paixão, por ser libertária, procura reinventar a vida, recriar o mundo.

Adaptado de “A paixão e a arte” - O Teatro como Arte Marcial, de Augusto Boal, Garamond 2003

No Laboratório do Teatro do Movimento temos estado a investigar as paixões. Observamos e analisamos vários sentimentos e desenvolvemos linguagens dramáticas para transpor cada um desses sentimentos para o palco. Jogamos com as escalas: o sentimento de alguém pode ser aumentado pela presença de um coro que nos vai transmitir, em movimento, a emoção do protagonista – entramos no terreno do melodrama. Jogamos ainda com nós mesmos, escarnecemos uns dos outros, de nós próprios, para encarar de frente as paixões humanas com a verdade crua da auto-derisão: convocamos os bufões e entramos no terreno do burlesco.

Lembrámo-nos de outro colega que estudou este mesmo tema: em 1872, Charles Darwin publica “A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais” enquanto estudo complementar da “Origem das Espécies”.
Transcrevo alguns exertos:
“Quando é intensa, a alegria suscita não apenas fortes gargalhadas mas também uma série de movimentos destituídos de sentido: a pessoa pode executar uns passos de dança, bater palmas, bater com os pés no chão, etc.”
“Sendo uma sensação agradável, o afecto gera normalmente um sorriso suave e aviva o brilho do olhar. Suscita em geral um intenso desejo de tocar a pessoa amada.”
“Quando o medo atinge a sua intensidade máxima, a pessoa emite um pavoroso grito de terror. Segue-se um estado de total prostração e um bloqueio das faculdades mentais. Os intestinos são afectados. O esfíncter deixa de funcionar e não retém os conteúdos do corpo.”
“A timidez reconhece-se pelor rubor na face, pelo gesto de desviar ou baixar os olhos, e pelos movimentos nervosos e desajeitados do corpo.”
E é ainda Darwin que se alia a Shakespeare e reconhece que a capacidade do actor de expressar as emoções está necessáriamente relacionada com a sua expressão física:
“Mesmo a simulação de uma dada emoção tende a fazer com que esta desperte na nossa mente. Shakespeare, que pelo seu maravilhoso conhecimento da alma humana poderia ser um juiz excelente, diz o seguinte:
Não é monstruoso que este actor aqui,
por uma ficção apenas, um fumo de paixão,
tenha forçado tanto a alma ao que concebeu
que, por ela alterado, a cara lhe empalidece,
de lágrimas nos olhos e tumulto no aspecto,
a voz tolhida e todos os actos moldando-se
na forma ao que imaginou? E tudo por nada!
Hamlet, II, 2”
Aguardemos então pela obra “A Expressão das Emoções no Cientista” de Agostinho, Almeida, David, Carneiro, Cartaxana, Costa, Dinis, Fouto, Maia, Moraes, Morgado Oliveira, Pina, Santana, Trindade. Parece que será lançada nos jardins da Gulbenkian a 25 de Setembro do corrente ano!
(Catarina Santana)

OS BUFÕES DE SANTA MARIA

Deformaram-se os corpos, como puderam, num silêncio absorto, numa auto-escultura feita de bossas e fossas, mutilações e extensões, desvios e torções. Ousaram então caminhar, esses corpos, humanos e naturais, depois de feros. Por fim pontuaram-lhes alma em vibrações, sonoridades orgânicas.
Treparam por si mesmos a dentro, os bufões de santa maria, rindo entre si, escarnecendo dos demais, convocando por via de danças e cânticos endemoninhados, subtis, um coro, um magnífico coro de deformidades...
Os médicos largaram as urgências e lançaram-se no seu encalço. «Cubram esses seres abjectos!», gritavam, uns para os outros; «Deixem-nos falar!», pediam os doentes, erguendo-se das macas, «Queremos ouvi-los!», exigiam, reanimados pela intrépida febre dos bufões em desfile.
À sua passagem reverberava o caos; dançavam as macas, as máquinas e os suportes intravenosos, vomitavam-se os armários e as prateleiras, planavam as roupas de cama, desaparecia o jantar nos tabuleiros... Os seguranças cuspiam impotentes sobre os walkie-talkies, enquanto os doentes se despiam sem pudor e as enfermeiras cobriam o chão de gritinhos histéricos, forçadas sob os bufões que dos seus bolsos extorquiam milhares de canetas coloridas.
Surgiram, por fim, os cientistas. Vinham sorridentes, de braços no ar, semblante complacente, apaziguar o pânico, repor a tão amada ordem; e com extrema ternura anunciavam «Calma, calma, está tudo bem, isto é tudo uma experiência!»
E logo os médicos voltavam às urgências; as macas, as máquinas e os suportes intravenosos estacionavam nos velhos lugares, os armários e as prateleiras engoliam ordeiros o próprio vómito, as roupas alisavam-se sobre as camas, o jantar rastejava de volta aos tabuleiros; os seguranças repousavam os walkie-talkies, os doentes vestiam-se de novo pálidos, as enfermeiras contavam as canetas em risinhos nervosos...
E os bufões de santa maria recuavam cabisbaixos até junto dos cientistas, num murmúreo salivar que lentamente os expremia entre bossas e fossas, mutilações e extensões, desvios e torções; até que estes, por fim, os acarinhassem...
(Rita Fouto)

Nisto de arrastarem as pernas mancas, bossas e outras deformidades os bufões têm algo de semelhante a alguns cientistas que, literalmente, se arrastam pela lama...
(Paulo Cartaxana)

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Cientistas cómicos??!? Ahahaha!

Ensaio dos Cientistas de pé, no Fórum Lisboa.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Workshop Career Paths no Instituto Gulbenkian de Ciência

Sabia que apenas 1 em cada 5 doutorados prosseguem carreiras na academia?

Durante 4 dias discutir-se-ão em Oeiras as diferentes vias profissionais que os doutorados podem vir a ter- a vida para além dos Institutos e Universidades.

Entre os palestrantes convidados estão
De 6 a 9 de Julho, no Instituto Gulbenkian de Ciência. Toda a informação e inscrições aqui.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

De que falamos quando falamos de cientistas? (4)

Disto?


Ou disto?


Uma questão com que a maioria dos investigadores se debate nalguma fase da sua carreira é a de ficar ou ir embora. Ou a de ficar lá, nesse grande país que é o estrangeiro, ou voltar para cá, seguindo o chamamento atlântico da costa oeste da Europa.

Nos últimos anos tem havido crescimento e investimento nos institutos de investigação em Portugal, tornando mais apelativa a carreira nacional. No entanto, a experiência ainda que temporária noutro grupo num país que não o seu é enriquecedor tanto do ponto de vista científico como pessoal.

Em 2000 a União Europeia criou a ERA - European Research Area, uma plataforma para contribuir para a competitividade da investigação científica europeia, aumentando a interacção entre Estados-Membros na partilha de conhecimento, infraestruturas, técnicas e pessoas de forma a estimular e propiciar o sucesso na produção, transferência, partilha e divulgação dos conhecimentos e desenvolvimento tecnológico, contribuindo também com e para a progressão na carreira dos investigadores dos Estados Membros.

Na Carta Europeia do Investigador, documento de 2005 onde se estabelecem princípios e requisitos gerais que devem definir os papéis, responsabilidades e direitos dos investigadores e das entidades empregadoras e/ou financiadoras pode também ler-se que


Do outro lado da balança: clima, gastronomia, família e amigos.

Ir ou ficar?

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Cientistas ao Palco em Oeiras

Este sábado, dia 20 de Junho, entre as 14h e as 19h30 actividades dos cientistas que se juntam à festa do 250º aniversário - Celebrar Oeiras

Às 18h00 no Palco Família

Cientistas ao Fórum e Cientistas de Pé
O grupo do Teatro Fórum irá recriar todo o processo de criação de um espectáculo: o que é o teatro fórum? o recrutamento dos actores/cientistas; os ensaios; a cena de fórum. Será aberto a perguntas e discussão com a plateia. Para terminar, actuarão os cientistas-de-pé – stand-up comedy por cientistas!

E das 14h00 às 18h00 na Zona Futuro tragam as crianças para meter a mão na massa científica

O DNA de morango – invisível? Não, senhor!
Uma experiência simples que permite extrair e visualizar o DNA de morango. Recorrendo a produtos domésticos – morangos, detergente da loiça, sal de cozinha, filtros de café e álcool – crianças e adultos reproduzem o processo de extracção de DNA utilizado pelos cientistas, podendo levar o DNA para casa, para guardar para sempre!

Células de plasticina
Somos formados por triliões de células...não são todas iguais: têm formas diferentes e fazem coisas diferentes. As células do sangue transportam oxigénio; as do músculo da perna ajudam-nos a dar pontapés na bola. Com plasticina de várias cores, crianças e adultos podem experimentar construir células diferentes, para levar para casa.

O código dos genomas em gomas
A molécula de DNA funciona como uma receita para fazer um ser vivo. Através de um código químico representado pelas letras A, T, C e G é possível construir todas as proteínas que fazem um organismo. A informação contida no DNA pode ser copiada para uma nova molécula de DNA e desta para outra, e outra, até ao infinito, mantendo sempre a mesma receita. Usando gomas de várias cores, crianças e adultos vão poder explorar o que a torna o DNA uma molécula tão especial.

Olhando para dentro de uma molécula
Desde a água ao DNA, o nosso mundo é feito de muitas moléculas diferentes. Através de modelos simples e simulações em computador crianças e adultos poderão entrar na dimensão molecular e conhecer algumas das moléculas de que ainda se procura conhecer a estrutura.

Pelo IGC e ITQB

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Cientistas ao Palco - O filme

Primeiro vídeo dos Cientistas ao Palco: Romeu Costa à procura de cientistas para fazer teatro no Instituto de Tecnologia Química e Biológica. (Oeiras).




Cientistas ao Palco!

Romeu Costa, Ilda Camacho, Catarina Silva, João Damas, Diana Lousa, Luís Pereira, Ana Lúcia Barbas, José Barbas, Colin McVey, Sónia Negrão, Joana LA, Ana Sanchez, Mário Correia e David Marçal.

Guião: David Marçal

Captação de Imagem: Eliseu Aguiar

Pós-produção vídeo e edição: Dread Monkey audiovisuais

Agradecimentos: Instituto de Tecnologia Química e Biológica

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A importância de ser Bolseiro

António Câmara, CEO da Ydreams, sobre o impacto dos bolseiros no Grupo de Análise de Sistemas Ambientais (GASA) da Universidade Nova de Lisboa fundamentais na geração do conhecimento e formação da massa crítica que permitiram a construção da Ydreams e de outras empresas de base científica.

Entrevistado por David Marçal, com imagem de André Levy, na III Conferência de Emprego Científico

segunda-feira, 8 de junho de 2009

De que falamos quando falamos de cientistas? (3)

Disto?



Ou disto?



Nos ensaios do Teatro-Fórum continuamos a explorar o que pensam dos cientistas os que não fazem ciência, bem como o que significa progressão na carreira para alguém que investiga, descobre, descodifica e comunica.


Para além do trabalho de pesquisa, investigação e descoberta os cientistas têm de conseguir comunicar a dois níveis:
1. Para os seus pares - em artigos, congressos ou encontros, para não apenas demarcarem o seu território de inovação como para se submeterem ao julgamento de quem também é especialista na mesma área. O processo de discussão e reconhecimento pelos demais é uma das pedras basilares da credibilidade dos dados, sua recolha e validade científica junto da comunidade.
2. Para o público em geral - tentando assegurar que as suas conclusões, mesmo as que parecem mais eclatantes e atraentes para os media em geral, não seja deturpados ou mal-lidos pelos leigos na matéria.


Conseguindo fazer ambas as coisas com sucesso, Yours is the Earth and everything that's on it, and - which is more - you'll be a Scientist, my son!*

Lembramos isso na altura em que tanto se fala da Ida por todos os lados (a esse respeito vale a pena ler o artigo que saiu na PLoS e a análise da comunicação dos respectivos resultados nos media no Público), da alteração do código genético das Candida albicans (na Nature e no Público) e na semana da atribuição do Prémio Príncipe das Asturias das Ciências Sociais a David Attenborough (também há o da Investigação Científica e Tecnológica).


"Nós não estamos a alegar que [a Ida] é o nosso ancestral directo. Isso é de mais. Nós só existimos há poucos milhões de anos e a Ida esteve viva há 47 milhões de anos." Mas o cientista Jorn Hurum assume o espectáculo, que aliás, já tinha sido utilizado no Predador X, que segundo o paleontólogo é a melhor forma de pôr os miúdos interessados em paleontologia. "Qualquer banda pop ou atleta faz o mesmo tipo de coisas. Nós, na ciência, temos que começar a pensar da mesma forma", disse, citado pela "Times Online". (daqui)


Temos?

domingo, 31 de maio de 2009

Corpos que mimam o mundo


Quando Van Gogh pinta arbustos balançando ao vento, pinta o vento: faz-nos ver o invisível
(Augusto Boal)

No laboratório do movimento, estamos a investigar o que Lecoq chamava de fundo poético comum: uma dimensão abstrata feita de espaços, de luzes, de cores, de materiais, de sons que se encontram em cada um de nós e que foram depositados em nós a partir das nossas diversas experiências e sensações. Assim, munidos dos nossos corpos poéticos que mimam, desenvolvemos duas técnicas para recriar o mundo em palco através do movimento: a identificação e a transposição.

Começámos pela identificação com os elementos da natureza: água, fogo, terra e ar. Em que parte do corpo se inicia o movimento? A que ritmo e como se desenvolve no espaço? Que dinâmicas lhe estão associadas? E porque o homem foi o mar, pudémos vê-lo a atrevessar o mar numa sala do IMM!

De seguida, transpusémos as características dos elementos para o comportamento humano e encontrámos, numa manhã, na casa de banho, um estudante acabado de acordar de um sonho molhado, uma jovem airosa a pentear-se frente ao espelho e a sua boleia farta de esperar, em brasa, a bater furiosamente à porta. Mas no fim do dia, sentaram-se num banco de jardim, duas amigas, e assim enraizadas e serenas deram-se as mãos e respiraram fundo.

Estudámos ainda os elementos nas suas condições extremas: as tempestades, os incêndios e tremores de terra e lembrámo-nos dos nossos sentimentos extremos... das nossas paixões...!

Passas a tua vida através de uma gota de água e vês o mundo!
(Jacques Lecoq)
- um post de Catarina Santana -

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Cientistas ao Fórum


Reunimo-nos duas vezes por semana no Fórum Lisboa


Andamos pelo espaço



Ou caímos pelo chão


Activamos o corpo


O peito


E as vozes





Para estarmos disponíveis e preparados para as improvisações sobre os temas sugeridos



E assim irmos construindo o nosso espectáculo


Com o contributo e empenho de todos


Fotografias: David Marçal

Cientistas ao Fórum: Américo Duarte, Ana Castro, Ana Osório, Andrea Santos, Ângela Crespo, Catarina Francisco, Catarina Silva, Célia Santos, Cláudia Andrade, Cláudia Gaspar, Leonor Alves, Luís Branco, Mariline Justo, Pedro Ferreira, Rosana Rocha, Sónia Negrão, Virgínia Marques
Direcção: Romeu Costa e Joana LA

terça-feira, 26 de maio de 2009

De que falamos quando falamos de cientistas? (2)

Disto?

ou disto?


Há muitas maneiras de se começar a ser cientista, mas a maioria começa com uma bolsa. Não é a bolsa que faz deles investigadores, mas é o que lhes paga as contas. Para informações sobre este assunto podem consultar o site da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e aceder ao Guia do Bolseiro da Associação dos Bolseiros de Investigação Científica.

A maioria dos jovens investigadores científicos são efectivamente bolseiros, e cada vez mais. O que não significa que sejam estudantes: são trabalhadores em ciência e/ou tecnologia, sempre em formação como qualquer bom profissional de qualquer área. Apesar de não auferirem subsídio de férias ou de Natal. Mas têm férias. E Natal.

Há quem acumule essa função com a docência no Ensino Superior, o que significa uma carga às vezes bem pesada. Dar aulas é muito mais do que as horas na sala de aulas, implica preparação e seguimento dos estudantes e sua avaliação. E o tempo que não estica, que não estica.

No grupo de trabalho de Teatro-Fórum temos bolseiros para todos os gostos e feitios, e de várias áreas científicas - e mulheres em larga maioria. Porque será?

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Repto aos não-cientistas: Qual a vossa imagem da vida amorosa de um cientista?

Imagem do calendário erótico da Federación de Jovenes Investigadores / Precarios

Uma cientista do grupo de stand-up lançou este repto aos seus amigos e familiares. Todas as respostas recebidas até agora. Anónimas, apenas com indicação de genéro. Deixe-nos também a sua, na caixa de comentários!

(Masculino ; Feminino)

1.
Assim sinceramente (e não pensando em nenhum cientista em especial, nem em ti) os cientistas não têm uma vida amorosa normal? Isto é dentro das anormalidades que o amor implica obviamente! ou seja, uma vez que um cientista é um ser humano normal, tal como qualquer outro, acho que tem uma vida amoraosa normal! Por isso priminha, fica descansada!!! És normal como os outros!! :) F

2.
Como as enzimas, uns "enzima" dos outros bem juntinhos, como cadeias de DNA e barulhentos como electroes: Planck planck planck! F

3.
Acho que é cheia de experiencias M

4.
Eu acho que tu namoras com uma amiba M

5.
A vida amorosa de um cientistas deve envolver muita química... F

6.
Acho que dedicam demasiado tempo ao trabalho passando a vida amorosa para segundo plano. Depois como não sabem lidar com a vida amorosa, afastam-se das pessoas. M

7.
Pelo que conheço dos cientista de hoje em dia são em geral pessoas com a mentalidade aberta e pouco agarrados a tradições como o casamento. Geralmente vivem maritalmente ou sós. Como cientistas viajam bastante e por vezes por periodos alargados, como um ano ou mais. Muitos cientistas que conheço conseguem manter uma relação apesar de estarem muito tempo à distancia. M

8.
Eu acho que o Einstein era menino para se “esquecer” da função física se uma função diferencial lhe acometesse a mente.

Acho que o Darwin deveria supre activo para melhorar a evolução. Talvez tentasse variadíssimas posições e situações para estimular a variedade.

O Custeau fá-lo-ia, garantidamente no mar.


O Pasteur, só depois de devidamente limpo e esterilizado. Ele a companheira, a cama, o quarto e, provavelmente, em ambiente de subpressão com entrada Eppa.


O John Watson, em espiral. E sempre, duplamente.


O Descartes pararia para pensar, cogitar. O Damásio nem pensaria.


Platão fá-lo-ia atrás de um lençol iluminado - para projectar as sombras.


Arquimedes numa banheira.


Maxwel em saca rolhas

Pierre Curie... por rádio (hoje, talvez internet)


Mas o mais explosivo, sexualmente seria, sem dúvida, o Nobel! Verdadeira dinamite.
M

9.
“Para mim a vida amorosa de um cientista deve ser muito metódica :D Tudo com procedimentos bem definidos, rotinas escalpelizadas, e tudo com muita sustentação teórica :)

Bem, acho que se for um cientista NO EXAGERO DA PALAVRA (Aquele que é tipo cientista-
maluco) a sua vida amorosa deverá ser uma vida em que devido ao seu horário de trabalho não rígido, deverá ter alguns problemas no que diz respeito à busca do seu grande amor e mesmona sustentação familiar de um relacionamento presente. Isto pq o seu horário muitas vezes o condiciona a ele e faz com que ele se interesse e se entusiasme por vezes demais no seu trabalho e menos um pouco na sua família. Um cientista é tão metódico e tão com os procedimentos bem definidos que via tudo o que tivesse a ver com a mulher relacionado com a ciência, ou seja, instigar-se sempre com o “porque”, (pq é k a mulher é assim? Pq é k a mulher tem tt necessidade de falar? Pk é k a mulher tem tanta necessidade de se vestir bem e de ser vaidosa? Pk é k a mulher tem necessidade de dizer mal das outras)…. E também com o “Como” (como é k a conquistarei? Como é k a mulher terá mais prazer? Como é k a posso levar a jantar?) e o “o que é? (O que é k a faz gostar mais de mim? O que é o prazer? O que é o amor? O que é o carinho”) M

10.
Bom, em primeiro há que salientar a qualidade da língua de um cientista. É impressionante o inglês técnico que dominam e mais impressionante ainda é que o utilizam (tb para mostrarem que o possuem) durante todo o tempo da “vida amorosa”, falam em estrangeiro que só eles devem perceber. Um cientista em que país for é sempre um estrangeiro.

O segundo ponto é ainda mais estranho, nos finais dos actos amorosos da “vida amorosa” é
normal que aconteçam coisas, hummmm…, “diferentes”, que nos os leigos (não cientistas) achamos normais e deixamo-nos estar todos contentes sentados no sofá. Agora não é normal no fim ir a correr para o Google para se tentar provar o quer que tenha acontecido, é pá, quebra a parte amorosa. Tirando isso acho normal. M

11.
Conseguem manter as ditas relações, mesmo com grandes períodos de ausência, uma vez que SE ESQUECEM que têm essas relações! (a ideia do cientista alienado do mundo). se vivem sós é porque não encontraram ninguém que aturasse as quebras para idas ao google! F

12.
Bastante farta e experimental. Nao sera por acaso que os tipos invetaram o Viagra uma das maravilhas do seculo, dizem! Qual tensao arterial alta ou colesterol... Viagra obedeça a prescrição e deixem-se de intelectualidades! Imaginem depois de tanta proveta e artefactos em forma de dildo!!! M

13.
Acho q pode ser menos vivida do ponto de vista sentimental pq é mais analisada do ponto de vista do processo em si e das reacções em causa. Ou seja, por exemplo um ginecologista! Eu acho sempre q eles a fazerem sexo estão sempre a pensar "ah, agr se puser o dedo ali no lijfoifhwfqlkfjlqk da minha companheira aquilo tem lá muitos circuitos nervosos e ela vai gostar" em vez de "go with the flow", o que deve ser um bocado chato, coitados...

Enquanto q aqueles q não são cientistas abstraem-se mais de tudo enqt estão a fazer o amor. É
mais naquela de "ok, trabalho àparte, agora é para pinocar!" Só. E chega! Resumindo: um cientista, se não se puser a pau, pode ser muito chatinho na sua vida amorosa! F

14.
eu diria que o einstein se aproveitou melhor da teoria da relatividadade na sua vida amorosa...és feio, isso é relativo, és mau na cama, isso é relativo, querido, entao e eu, isso é relativo e.... e tb imagino um cientista a fazer um protocolo antes e um mapa de resultados depois e a entregar um esquemazinho...e a dizer “mas por favor diz-me se errares” F

quarta-feira, 13 de maio de 2009

De que falamos quando falamos de cientistas? (1)

Disto?
Ou isto?





Esta semana no grupo de trabalho do Teatro-Fórum falámos sobre o que os outros acham sobre o que nós fazemos. Só vale a pena ser cientista se for para descobrir a cura definitiva do cancro, a vacina para o HIV ou ganhar o prémio Nobel? (de preferência tudo ao mesmo tempo, se faz favor. E uma dose de batatas fritas)

Andam pais a financiar licenciaturas aos filhos para seguirem uma profissão que é mais uma paixão, entregam-se muito e ganham pouco, sem grandes garantias de futuro, para além de terem de levar com os vizinhos "mas afinal ela estuda ou trabalha?"

O primo afastado pergunta se lhe sintetizamos uns comprimidos fixes para o sábado à noite, não é para isso que serve a química, ou se trazemos bichinhos nos bolsos, daqueles que têm doenças e espalham o caos. Se já explodimos a cozinha da avó ou se passamos o dia na biblioteca a gastar os olhos e a perder o sol. Se com a engenharia genética dedicamos o tempo a produzir bagos de arroz do tamanho de abóboras ou se já clonamos pessoas às escondidas ali para os lados de Oeiras, onde ninguém vê. Quando falamos em trabalho de campo pensam que plantamos batatas, a física de partículas soa a insulto gratuito e convém esconder a formação em engenharia electrotécnica para não pensarem que se conserta frigoríficos e microondas.


O que é que os não-cientistas acham que é isto de andar a fazer ciência?

terça-feira, 12 de maio de 2009

Para que serve a ciência?

At such a difficult moment, there are those who say we cannot afford to invest in science, that support for research is somehow a luxury at moments defined by necessities. I fundamentally disagree. Science is more essential for our prosperity, our security, our health, our environment, and our quality of life than it has ever been before.

- Barack Obama, no encontro anual da National Academy of Sciences, Washington D. C., Abril de 2009

o resto aqui