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segunda-feira, 8 de junho de 2009

De que falamos quando falamos de cientistas? (3)

Disto?



Ou disto?



Nos ensaios do Teatro-Fórum continuamos a explorar o que pensam dos cientistas os que não fazem ciência, bem como o que significa progressão na carreira para alguém que investiga, descobre, descodifica e comunica.


Para além do trabalho de pesquisa, investigação e descoberta os cientistas têm de conseguir comunicar a dois níveis:
1. Para os seus pares - em artigos, congressos ou encontros, para não apenas demarcarem o seu território de inovação como para se submeterem ao julgamento de quem também é especialista na mesma área. O processo de discussão e reconhecimento pelos demais é uma das pedras basilares da credibilidade dos dados, sua recolha e validade científica junto da comunidade.
2. Para o público em geral - tentando assegurar que as suas conclusões, mesmo as que parecem mais eclatantes e atraentes para os media em geral, não seja deturpados ou mal-lidos pelos leigos na matéria.


Conseguindo fazer ambas as coisas com sucesso, Yours is the Earth and everything that's on it, and - which is more - you'll be a Scientist, my son!*

Lembramos isso na altura em que tanto se fala da Ida por todos os lados (a esse respeito vale a pena ler o artigo que saiu na PLoS e a análise da comunicação dos respectivos resultados nos media no Público), da alteração do código genético das Candida albicans (na Nature e no Público) e na semana da atribuição do Prémio Príncipe das Asturias das Ciências Sociais a David Attenborough (também há o da Investigação Científica e Tecnológica).


"Nós não estamos a alegar que [a Ida] é o nosso ancestral directo. Isso é de mais. Nós só existimos há poucos milhões de anos e a Ida esteve viva há 47 milhões de anos." Mas o cientista Jorn Hurum assume o espectáculo, que aliás, já tinha sido utilizado no Predador X, que segundo o paleontólogo é a melhor forma de pôr os miúdos interessados em paleontologia. "Qualquer banda pop ou atleta faz o mesmo tipo de coisas. Nós, na ciência, temos que começar a pensar da mesma forma", disse, citado pela "Times Online". (daqui)


Temos?

domingo, 31 de maio de 2009

Corpos que mimam o mundo


Quando Van Gogh pinta arbustos balançando ao vento, pinta o vento: faz-nos ver o invisível
(Augusto Boal)

No laboratório do movimento, estamos a investigar o que Lecoq chamava de fundo poético comum: uma dimensão abstrata feita de espaços, de luzes, de cores, de materiais, de sons que se encontram em cada um de nós e que foram depositados em nós a partir das nossas diversas experiências e sensações. Assim, munidos dos nossos corpos poéticos que mimam, desenvolvemos duas técnicas para recriar o mundo em palco através do movimento: a identificação e a transposição.

Começámos pela identificação com os elementos da natureza: água, fogo, terra e ar. Em que parte do corpo se inicia o movimento? A que ritmo e como se desenvolve no espaço? Que dinâmicas lhe estão associadas? E porque o homem foi o mar, pudémos vê-lo a atrevessar o mar numa sala do IMM!

De seguida, transpusémos as características dos elementos para o comportamento humano e encontrámos, numa manhã, na casa de banho, um estudante acabado de acordar de um sonho molhado, uma jovem airosa a pentear-se frente ao espelho e a sua boleia farta de esperar, em brasa, a bater furiosamente à porta. Mas no fim do dia, sentaram-se num banco de jardim, duas amigas, e assim enraizadas e serenas deram-se as mãos e respiraram fundo.

Estudámos ainda os elementos nas suas condições extremas: as tempestades, os incêndios e tremores de terra e lembrámo-nos dos nossos sentimentos extremos... das nossas paixões...!

Passas a tua vida através de uma gota de água e vês o mundo!
(Jacques Lecoq)
- um post de Catarina Santana -

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Cientistas ao Fórum


Reunimo-nos duas vezes por semana no Fórum Lisboa


Andamos pelo espaço



Ou caímos pelo chão


Activamos o corpo


O peito


E as vozes





Para estarmos disponíveis e preparados para as improvisações sobre os temas sugeridos



E assim irmos construindo o nosso espectáculo


Com o contributo e empenho de todos


Fotografias: David Marçal

Cientistas ao Fórum: Américo Duarte, Ana Castro, Ana Osório, Andrea Santos, Ângela Crespo, Catarina Francisco, Catarina Silva, Célia Santos, Cláudia Andrade, Cláudia Gaspar, Leonor Alves, Luís Branco, Mariline Justo, Pedro Ferreira, Rosana Rocha, Sónia Negrão, Virgínia Marques
Direcção: Romeu Costa e Joana LA

terça-feira, 26 de maio de 2009

De que falamos quando falamos de cientistas? (2)

Disto?

ou disto?


Há muitas maneiras de se começar a ser cientista, mas a maioria começa com uma bolsa. Não é a bolsa que faz deles investigadores, mas é o que lhes paga as contas. Para informações sobre este assunto podem consultar o site da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e aceder ao Guia do Bolseiro da Associação dos Bolseiros de Investigação Científica.

A maioria dos jovens investigadores científicos são efectivamente bolseiros, e cada vez mais. O que não significa que sejam estudantes: são trabalhadores em ciência e/ou tecnologia, sempre em formação como qualquer bom profissional de qualquer área. Apesar de não auferirem subsídio de férias ou de Natal. Mas têm férias. E Natal.

Há quem acumule essa função com a docência no Ensino Superior, o que significa uma carga às vezes bem pesada. Dar aulas é muito mais do que as horas na sala de aulas, implica preparação e seguimento dos estudantes e sua avaliação. E o tempo que não estica, que não estica.

No grupo de trabalho de Teatro-Fórum temos bolseiros para todos os gostos e feitios, e de várias áreas científicas - e mulheres em larga maioria. Porque será?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

De que falamos quando falamos de cientistas? (1)

Disto?
Ou isto?





Esta semana no grupo de trabalho do Teatro-Fórum falámos sobre o que os outros acham sobre o que nós fazemos. Só vale a pena ser cientista se for para descobrir a cura definitiva do cancro, a vacina para o HIV ou ganhar o prémio Nobel? (de preferência tudo ao mesmo tempo, se faz favor. E uma dose de batatas fritas)

Andam pais a financiar licenciaturas aos filhos para seguirem uma profissão que é mais uma paixão, entregam-se muito e ganham pouco, sem grandes garantias de futuro, para além de terem de levar com os vizinhos "mas afinal ela estuda ou trabalha?"

O primo afastado pergunta se lhe sintetizamos uns comprimidos fixes para o sábado à noite, não é para isso que serve a química, ou se trazemos bichinhos nos bolsos, daqueles que têm doenças e espalham o caos. Se já explodimos a cozinha da avó ou se passamos o dia na biblioteca a gastar os olhos e a perder o sol. Se com a engenharia genética dedicamos o tempo a produzir bagos de arroz do tamanho de abóboras ou se já clonamos pessoas às escondidas ali para os lados de Oeiras, onde ninguém vê. Quando falamos em trabalho de campo pensam que plantamos batatas, a física de partículas soa a insulto gratuito e convém esconder a formação em engenharia electrotécnica para não pensarem que se conserta frigoríficos e microondas.


O que é que os não-cientistas acham que é isto de andar a fazer ciência?

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Cientistas ao Palco | Lisboa | Teatro do movimento



le corps poétique

Tout Bouge.
Tout évolue, progresse.
Tout se ricochette et se réverbère.
D'um point à autre, pas de ligne droite.
D'un port à un port, un voyage.
Tout bouge, moi aussi!
Le bonheur et le malheur, mais le heurt aussi.
Un point inéci, flou, confus, se dessine,
Point de convergences.
Tentation d'un point fixe,
Dans un calme de toutes les passions.
Point d'appui et point d'arrivée,
Dans ce qui n'a ni commencement ni fin.
Le nommer,
Le rendre vivant,
Lui donner autorité
Pour mieux comprendre ce qui bouge,
Pour mieux comprendre le Mouvement.

Jacques Lecoq
Belle-ile-en-Mer, août 1997


A análise dos movimentos do corpo humano e da natureza, das acções físicas na sua economia, é a base do trabalho de corpo deste laboratório. Assim, neste primeiro contacto com a análise do movimento, os actores-cientistas aprenderam um dos movimentos naturais da vida: a ondulação e os movimentos do mimo de acção: empurrar e puxar.

«A ondulação é o primeiro movimento do corpo humano, o de todas as locomoções. Na água, o peixe ondula para avançar. Na relva, a serpente ondula também. A criança, de gatas, também ondula e o homem, de pé, continua a ondular. Se observarmos as pessoas a sair do metro com uma camera, constatamos na análise dos seus movimentos que sobem e descem: seguem uma linha de ondulação. Toda a ondulação parte de um ponto de apoio para chegar ao ponto de aplicação. A ondulação toma apoio no chão e transmite progressivamente o esforço a todas as partes do corpo até ao ponto de aplicação. Esta ondulção encontra-se na bacia do homem que anda. A bacia arrasta o resto do corpo numa dupla ondulação natural: uma lateral como no tubarão e outra vertical como a do golfinho. A ondulação é o motor de todos os esforços físicos do corpo humano: "empurrar/ puxar" e "empurrar-se/ puxar-se".»

in, le Corps Poétique, Jacques Lecoq, Actes Sud-Papiers, 1997

Os cientistas do laboratório do teatro do movimento ensaiam às 2ªs e 4ªs Feiras das 19 às 22h, nas instalações do IMM (edifício Egas Moniz, campus do Hospital de Santa Maria), em Lisboa, de 6 de Maio até à grande noite de 25 de Setembro. Em Maio, os ensaios ocorrerão apenas às 4ªs Feiras. Exortamos todos os que participam neste laboratório a levantar âncora, porque a viagem já começou!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Ensaios em Lisboa

Depois dos Workshops Cientistas ao Palco de Lisboa, com uma adesão entusiasta dos investigadores da capital, organizámos os grupos de trabalho para dar início aos ensaios na próxima semana para a criação e encenação dos espectáculos para dia 25 de Setembro.

Para além de poderem continuar a seguir o work in progress pelo blog e facebook, todos os cientistas que queiram participar na Noite dos Investigadores mesmo não fazendo parte dos grupos de teatro têm muitas outras actividades que podem desempenhar: colaborando nas experiências hands-on de demonstrações cientificas, no speed-dating de cientistas com o público, e em tantas outras actividades que estão a ser preparadas para a grande noite de Setembro.

Para mais informações sobre estas e outras acções e de que forma podem colaborar escrevam para cientistasaopalco@gmail.com

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Cientistas de pé - o balanço do workshop de stand up comedy (com rigor e números)

Fazendo uma análise da habitual pergunta em fichas de inscrição acerca da profissão do avô materno (e o formulário dos cientistas ao palco não foi excepção) conclui-se que o desemprego é um fenómeno recente.



No final do workshop de stand-up-comedy os participantes não cabiam em si de contentes. Mais fotografias aqui.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

O primeiro workshop - the day after

Durante dois dias numa acolhedora sala do Instituto de Medicina Molecular, em Lisboa, explorámos as técnicas de Teatro Fórum com os cientistas que se lançaram connosco nesta aventura.


Depois de saberem que o Augusto Boal , fundador do Teatro do Oprimido e do desenvolvimento do Teatro Fórum, é licenciado em engenharia química, com doutoramento pela Columbia University, e que apesar disso se tornou um actor, dramaturgo e encenador mundialmente reconhecido, perceberam que nada está entre nós e o palco: apenas a vontade e a motivação.


Contando com a presença de investigadores das mais diversas áreas científicas (da química à história de arte, passando por linguistas e biólogos, cientistas sociais, doutores, professores e engenheiros) ensaiámos pequenos espectáculos - peça a peça até à apresentação final.


Tivémos as Quase Seis com a peça "Quase 6h00", em freeze


E em pleno fórum de discussão com um espect-actor




Os Barco a remos com "A entalada", aqui com o Romeu Costa a orientar a discussão sobre o tema com o resto do grupo

E com o Américo a tentar chamar a Sofia/Professora à razão


Os Joyce trouxeram-nos a "Santa ignorância"


O Pedro substituiu o Rui, na tentativa de resolução do conflito do cientista solteiro, pobre e gorrrdo.


Tivémos a quente e fria "Experiência" dos Cientistas no vagão



Que a Carla achou que se solucionava em duas penadas, crrrr crrrr


E as "Férias?" dos 006


Com a Marta a procurar uma saída para a situação complexa da pobre Leonor.


Nestes dias descobrimos os actores que vivem dentro destes cientistas. No dia 25 de Setembro subirão ao Palco.

Fotografias: David Marçal (para mais imagens ver o album dos Cientistas ao Palco no Facebook)

terça-feira, 7 de abril de 2009

Cientistas ao Palco (Lisboa) - Questões Frequentemente Perguntadas

Por David Marçal

Isto é para fazer teatro, é?
É. Mas para não ferir susceptibilidades (para isso preferimos usar provetas partidas e garrafas de hidrogénio 100%) é melhor usar a palavra mais consensual "espectáculos".

De que género?
Ambos os dois. Mas para ver os vários projectos disponíveis veja em baixo.

Sou um estudante de doutoramento, no segundo ano e dois terços, e começo a achar que isto não vai correr bem. A Noite dos Investigadores é coisa para mim?
Sim, a Noite dos Investigadores foi pensada especialmente para casos como o seu. Como ninguém se consegue preocupar 24 horas por dia, poderá usar os ensaios para fazer um "sleep on it" (Snoopy et al, 1993) para abordar o problema no dia seguinte com outro estado de espírito (em geral não resulta, mas o ensaio é fixe à mesma). No entanto, é importante que anteveja manter um estado de salubridade mental suficiente para conseguir ir aos ensaios SEMPRE.

Sou um líder de grupo e não sei se estas coisas não são só para a miudagem. Mas gostava.

Sim, a Noite dos Investigadores foi pensada especialmente para casos como o seu. É um evento que procura melhorar a imagem dos investigadores (Annals of Mad and Smelly Scientitsts, 1998) junto do público e aumentar a percepção da importância da ciência (FP7, 2008). Em quantos dos seus estagiários de licenciatura é que quer delegar essa tarefa?

Não tenho experiência de teatro, apesar disso posso participar na Noite dos Investigadores?
Sim, a Noite dos Investigadores foi pensada especialmente para casos como o seu.

Tenho experiência de teatro, apesar disso posso participar na Noite dos Investigadores?
Sim, a Noite dos Investigadores foi pensada especialmente para casos como o seu.

Os ensaios da Noite dos Investigadores são como uma curte, um namoro ou um casamento?
Um casamento a prazo com possibilidade de poligamia. Desde que cumpra as suas obrigações conjugais nos ensaios não fazemos mais perguntas. E a partir de 25 de Setembro cada um segue a sua vida. A não ser que nos apaixonemos todos uns pelos outros, é claro. Mas nem a Ciência consegue, neste momento, prever tal resultado[1].

Quando é que é mesmo aquela coisa importante em que eu posso chamar os meus parentes da Suíça para me verem?
25 de Setembro, dia da Noite Europeia dos Investigadores. Repare que neste contexto, Europa não se refere à lua de Júpiter

Quais são as minhas vantagens em participar como investiga-actor na Noite dos Investigadores?
Nenhuma que nos ocorra. No entanto o nosso extremamente bem pago departamento de marketing inventou algumas que passamos a enumerar:
- Aprender técnicas de corpo e voz serve-lhe não apenas para representar no dia do espectáculo, como ainda o pode usar na sua vida e trabalho quotidianos, caso possua alguma destas duas coisas.
- Vai conhecer mulheres bonitas, inteligentes, interessantes e solteiras. Não garantimos que sejam todas a mesma.
- Vai conhecer homens bonitos, inteligentes, interessantes e solteiros. Não garantimos que sejam todos o mesmo.

É verdade que posso participar em três tipos de espectáculos?
Sim, mas apenas um de cada vez. Nomeadamente:
- Teatro-Forum
- Stand-up-comedy
- Teatro do gesto

Isto vai-me fazer esquecer a crise?
Em certa medida, sim. Mesmo que o banco execute a hipoteca da sua casa durante um período em que ficou sem bolsa, pode aprender a entrar na personagem de um investigador aristocrata do século XIX que não só supre todas as suas necessidades pessoais e familiares como financia a sua própria investigação.

É obrigatório participar no workshop para participar na Noite dos Investigadores?
Não, mas é uma oportunidade para avaliar se realmente tem pachorra para aturar isto.

Posso ir ao workshop se não tiver qualquer intenção de participar nos espectáculos?
Pode, desde que não nos diga isso. Mostre-se interessado(a), faça perguntas acerca dos horários dos ensaios, diga "ah" e "hum" ocasionalmente. Vai ver que é fácil enganar-nos, nós nem sempre somos muito espertos.

Eu tenho uma pergunta que não está aqui, como é que eu posso fazer?
Pode fazer a pergunta. Endereçando uma carta do Provedor do Telespectador ou enviando um email para cientistasaopalco@gmail.com


[1] Segundo a experiência do Tenente-Coronel Barradas, com base nas estatísticas de operações nos teatros da Bósnia e do Kosovo, é de prever uma média de dois casamentos e meio numa missão desta envergadura.

Cientistas ao palco - Noite dos Investigadores 2009

Este ano, em Portugal, os cientistas são chamados ao palco para celebrar a «Noite dos Investigadores» de uma forma especial e diferente: através do teatro!

Assim, é com grande entusiasmo que as entidades parceiras da «Noite dos Investigadores 2009» convidam os cientistas a participar nesta ousada experiência, proporcionando através da arte dramática uma diferente visão e forma de expressão de si mesmos e do seu trabalho, e de comunicar com o público.


A Noite dos Investigadores é uma iniciativa europeia que se realiza desde 2005 em várias cidades dos Estados Membros da EU e que pretende aproximar o público da Ciência em geral e dos cientistas em particular. Pretende-se envolver os investigadores na construção de uma nova imagem dos cientistas, mais real e humanizada, descolando-os dos estereótipos da ficção e aproximando-os dos cidadãos.


Em 2009, a Noite acontece no dia 25 de Setembro, envolvendo várias cidades europeias. Em Portugal, a Noite celebra-se através do teatro, num projecto que reúne em parceria centros de investigação, uma PME, um museu de ciência e vários grupos de teatro e que ocorre em simultâneo em várias cidades do país.


Na capital, a Noite será celebrada levando os cientistas a múltiplos palcos, por via do teatro-forum, da stand-up comedy e do teatro do movimento – e já que também se celebra Darwin e Galileu, montaremos os palcos entre o verde e sob as estrelas, nos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian.


No Porto, os cientistas estarão no palco e na audiência, envolvidos em diferentes peças desvendando Darwin, Galileo os desafios que os cientistas enfrentam ao longo da sua carreira.


Em Coimbra, o Museu da Ciência será o local onde tudo acontece. A comédia levará o público a Darwin e aos cientistas de hoje. Uma peça de teatro sobre Julio Verne será ainda o ponto de partida para a interacção entre conhecimento científico e sociedade.


Em Faro, a interacção entre cientistas e o público focará a vida e as descobertas de Darwin, através de peças destinadas a crianças e adultos.

Workshop ‘Cientistas ao Palco’

Em Lisboa, começamos já a preparar o grande dia.
Serão usadas três abordagens ao teatro e para que todos as conheçam e possam escolher com quais pretendem trabalhar disponibilizamos o Workshop ‘Cientistas ao Palco’, que se realizará nos próximos fins-de-semana de 18-19 e 25-26 de Abril (programa e ficha de inscrição em anexo).

O Workshop será o ponto de partida para uma série de ensaios que decorrerão a partir de Maio, e culminarão com os espectáculos do grande dia, 25 de Setembro.

Envie-nos um e-mail para cientistasaopalco@gmail.com se pretender receber a ficha de inscrição em word.

Esperamos por si!

Workshop Cientistas ao Palco - em Lisboa

Objectivos e público-alvo
Neste workshop os participantes irão experimentar jogos, exercícios e técnicas que visam desenvolver a sua criatividade, auto-confiança e espírito de equipa, bem como proporcionar o seu primeiro contacto com três técnicas teatrais distintas – teatro fórum, stand-up comedy e teatro do movimento.

O workshop será o ponto de partida para a criação de três grupos de trabalho, focalizados em cada uma das técnicas e orientados pelos respectivos formadores, tendo por objectivo a criação, ensaio e montagem (entre Maio e Julho de 2009, retomando em Setembro) de pequenos espectáculos/performances a ser apresentados na Noite dos Investigadores 2009 (25 de Setembro de 2009).

Assim, este workshop é especialmente dirigido a cientistas (no sentido lato, a investigadores de todas as áreas científicas – exactas, da vida, técnicas e tecnológicas, humanas, sociais e artísticas) que pretendam participar na Noite dos Investigadores 2009.


Informações Úteis
Os participantes poderão frequentar todos os módulos do workshop ou seleccionar aquele(s) que pretendem frequentar tendo em conta a posterior formação dos grupos de trabalho.
O workshop é gratuito, devendo a ficha de inscrição ser enviada até ao dia 16 de Abril para cientistasaopalco@gmail.com. (ficha disponível aqui)


Programa do workshop

Módulo 1 (18 e 19 de Abril) TEATRO FÓRUM
Formadores: Joana Lobo Antunes e Romeu Costa

18.Abril (Sábado)
Introdução ao teatro e ao uso do corpo no espaço Exercícios e jogos de mútuo conhecimento e de desinibição
O Teatro fórum
- A Árvore do Teatro do Oprimido
- O Teatro Essencial: Ser Humano é Ser Teatro
- Dramaturgia do Teatro Fórum

19.Abril (Domingo)
- Criação de uma peça
- Técnicas de improvisação em fóruns e interacção com o público
- Apresentação


Módulo 2 (25 de Abril) STAND UP COMEDY
Formadores: David Marçal e Romeu Costa

- O que é um texto de stand-up[1], referências e exemplos
- Técnicas de trabalho para monólogos/stand-up
- Apresentação de um monólogo/ stand-up

[1], Atenção: a oficina de stand up não é para dar formação em escrita de stand up. Isso faz-se já aqui: uma frase, uma frase, uma piada - e isto conclui a formação em escrita de stand up comedy! Parabéns! A oficina, e especialmente os ensaios, são para criar espectáculos originais de stand-up comedy com cientistas, com base nas suas vivências e perspectivas. É a mesma coisa que o stand up comedy normal só que sem aquela sensação de vergonha alheia.


Módulo 3 (26 de Abril) TEATRO DO GESTO
Formadores: Catarina Santana e Cláudia Andrade

O Corpo Poético – Laboratório de teatro do movimento
- Corpo, Espaço, Ritmo
- As linguagens do corpo e as linguagens do gesto
- A Dinâmica do Movimento
- A improvisação como base do trabalho de criação
- O jogo do actor


Notas:
O workshop decorre no horário das 10h às 18h com pausa para almoço das 13h às 14h30.
Os participantes deverão trazer roupa confortável (de desporto).
O local do workshop será posteriormente comunicado aos participantes inscritos.



Biografia dos Formadores
Catarina Santana, n.1976 Lisboa
Formada pela École Internationale de Théâtre Lassaad em Bruxelas, método Lecoq, começou a sua actividade teatral em 1994, no teatro universitário, onde se licenciou em engenharia do ambiente. De 1997 a 2004 fez parte do Grupo de Acção teatral A Barraca. Tem desenvolvido acções de formação em teatro do gesto e foi professora de interpretação da Operação Triunfo 2007. Em 2006, formou a companhia belga Les Ramon onde desenvolve regularmente trabalho de criação em teatro-circo. Actualmente trabalha como intérprete com a coreógrafa Olga Roriz e é cantora nos quartetos Ursoluso e Penicos de Prata.




Cláudia Andrade, n. 1979, Lisboa
Diplomada em Interpretação/Teatro do Gesto pela Escola Estudis de Teatre (Barcelona), trabalha como actriz desde 1993 em diversos projectos com o Teatro da Cornucópia, o Trigo Limpo teatro ACERT, Quarto Periodo-o-do-Prazer, o Teatro do Morcego, o Théâtre de la Mezzanine, a Compania La Puerta, Companhia Jordi Bertrán, Próxima Estação, entre outras. Desenvolveu diversas actividades pedagógicas, com o Serviço Educativo da Culturgest e o Centro de Pedagogia e Animação do CCB, tendo dirigido também várias acções de formação. Neste momento está a frequentar o Mestrado de Teatro e Comunidade na ESTC (Escola Superior de Teatro e Cinema).


David Marçal, n. 1976 Lisboa
Licenciado em Química, Doutorado em Bioquímica, actualmente bolseiro de pós-doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia para divulgação e promoção da ciência. Jornalista de ciência no Público por um curto período de tempo, criativo das Produções Fictícias desde 2003, especialista em textos humorísticos que envolvam ciência que tem publicado regularmente no Inimigo Público, suplemento satírico do Jornal Público. Colaborou com o Grupo de Teatro do Oprimido de Lisboa entre 2006 e 2007, como actor e criativo, na fixação e elaboração de textos.


Joana Lobo Antunes, n. 1973 Lisboa
Licenciada em Ciências Farmacêuticas, Mestre em Química Orgânica, a terminar o doutoramento em Farmácia. Desde 2004 é professora de Biologia Celular I e II do curso de Farmácia, ULHT . Começou a sua formação artística em Teatro do Oprimido, tendo estudado Teatro Fórum com Augusto Boal, Julián Boal, Armindo Pinto e Gisella Mendoza. Fez parte do Grupo de Teatro do Oprimido de Lisboa entre 2006 e 2008 como actriz e criativa, em 2009 trabalhou em encenação na Sociedade de Instrução Guilherme Cossul.

Romeu Costa, n. 1979 Aveiro
Formado pela Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa como Actor. Começou o seu trabalho profissional em 2000 com a companhia de teatro O Bando. Desde então tem trabalhado com vários encenadores entre os quais Bruno Bravo, Maria Emília Correia, João Brites, Madalena Vitorino, Nuno Pino Custódio, Luca Aprea, Miguel Seabra e Natália Luiza. Professor de Corpo/movimento na Escola Superior de Tecnologias e Artes de Lisboa e de Direcção de Actores na Escola Técnica de Imagem e Comunicação. Desde 2007 tem colaborado com o Grupo de Teatro do Oprimido de Lisboa, como encenador, director de actores e formador.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Stand up - Cientistas de pé

Pelo grupo de trabalho em Stand-up para a Noite dos Investigadores (Lisboa)

Será implementado um processo em que ao longo de várias sessões é construído o espectáculo, tanto a construção do texto (David Marçal) como o desenvolvimento de técnicas de voz e corpo (Romeu Costa) que permitam aos cientistas adquirir as ferramentas performativas necessárias à apresentação de um espectáculo com qualidade.

Durante o período de ensaios prevemos apresentações públicas periódicas que permitam aos não-actores ganhar confiança performativa perante uma plateia, enquanto consolidam o texto.

No mês de Setembro e até à Noite dos Investigadores serão realizados 5 a 8 ensaios finais procurando reproduzir o mais possível a situação cénica previsível da Noite dos Investigadores e fazer uma evolução performativa de modo a integrar elementos como som, luz e figurinos.

Na Noite dos Investigadores apresentaremos um espectáculo constituído por actuações individuais, com recurso a iluminação de cena e som (voz ou música).

Teatro fórum

Pelo grupo de trabalho em Teatro-Fórum para a Noite dos Investigadores (Lisboa)

"Toda a gente pode fazer Teatro, até os actores" - Augusto Boal

O Teatro do Oprimido foi criado em 1971 por Augusto Boal (n. 1931) – actor, encenador e dramaturgo brasileiro, adaptou as ferramentas do teatro convencional para serem usadas por não actores de forma a enfrentar e solucionar problemas sociais que se agravavam no Brasil da ditadura militar. De pequenos grupos homogéneos, de operários, agricultores, prisioneiros ou mulheres, a força da técnica foi reconhecida mundialmente e hoje em dia é usada por vários grupos para como forma de provocar o debate e a mudança social e cultural.

O Teatro-Fórum (TF) é a principal técnica do Teatro do Oprimido. É construído um espectáculo baseado nas vivências do grupo de não actores, onde entram em conflito personagens oprimidos e opressores de uma forma clara e objectiva. Neste confronto o oprimido fracassa e o público é convidado a entrar em cena para substituir o Protagonista (o oprimido) e buscar alternativas para o problema encenado, representando no palco e não da plateia as estratégias, ideias e soluções que quer propor. Os restantes actores reagem improvisando dentro do personagem, de forma a permitir uma análise sincera das possibilidades reais das sugestões trazidas pelo espectador na vida real. Assim, o TF apresenta-se como um ensaio colectivo para a realidade.

O Teatro-Fórum busca romper os rituais tradicionais do teatro que reduzem o público ao imobilismo e à passividade. A proposta é a de estabelecer um verdadeiro diálogo entre palco e plateia, personagens e propostas concretas, em que o público entra em cena para transformar a história. É por isto que Boal defende que no Teatro do Oprimido não há espectadores mas sim "espect-atores". Este diálogo é mediado por um "coringa", pessoa que actua como interlocutor entre as partes e estimula a discussão e a participação.

Construiremos espectáculos de teatro-fórum baseados nas vidas quotidianas dos cientistas, os seus problemas concretos, angústias e inquietações pessoais e profissionais. Apesar de serem específicas deste grupo devem reflectir o seu impacto social e ser um espelho e projecção para outras realidades comuns.

Os espectáculos serão desenvolvidos através de improvisações sobre temas intrínsecos ao grupo de trabalho e os actores serão os cientistas-eles-mesmos.

O CORPO POÉTICO - laboratório de teatro do movimento

Pelo grupo de trabalho em Teatro do Movimento para a Noite dos Investigadores (Lisboa)

“Uma viagem tanto poética como prática que integra uma profunda curiosidade pela vida com a paixão pelo teatro.”

Os investigadores-actores irão explorar alguns dos princípios fundamentais das artes performativas pela observação e recriação do mundo em movimento, envolvendo um conhecimento mais profundo da dinâmica da vida pela utilização do corpo. Corpo este, completamente vivo a partir do qual é possível expressar uma visão criativa.

Estes princípios, aplicados a uma criação dramática, possibilitam aos investigadores-actores estabelecer elos entre a vida e a arte e assim recriar o mundo em cena não só como ele é mas como eles imaginam que é.

As experiências "hands on" e o mundo cientifico será levado a cena através do corpo, do movimento e do gesto.O conceito de Laboratório alarga-se ao nosso corpo... poderá também ele ser objecto de experiências?

Através de jogos, da improvisação, do jogo de personagem, de máscaras e do burlesco, iremos procurar criar sequências dramáticas. Os elementos, os materiais, as cores e as luzes serão algumas das dinâmicas que nos irão guiar nesta viagem poética através do corpo.

Serão abordadas as seguintes áreas de estudo:
- As qualidades dramáticas dos elementos e materiais;
- A dimensão poética das cores e luzes.

“Passas a tua vida através de uma gota de água e vês o mundo!”

- As paixões humanas e a sua representação no espaço;
- Emoções, comportamento e criação de personagens.

“O termo emoção significa etimologicamente: “colocar em movimento”. Na realidade, mimamos todos os dias o mundo que nos rodeia sem o saber. Quando amamos, instintivamente mimamos en nós o outro.”
in , Le Corps Poétique, Jacques Lecoq, Actes Sud-Papiers, 1997

Jogar e actuar são no teatro sinónimos e a improvisação é uma técnica teatral que permite conjugar ambas coisas, proporcionando experimentar com liberdade e imaginação e desenvolvendo as capacidades criativas e comunicativas. A exploração do espaço, a expressividade e plasticidade do corpo, movimento e ritmo são também trabalhadas através dos exercícios e jogos.

Esta abordagem irá passar por um período de formação e outro de improvisação e pesquisa até à escrita de sequências dramáticas. A apresentação pública dos resultados será feita na última sexta-feira do mês de Setembro, por ocasião da Researchers Night 2009 (RN09), nos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa.


METODOLOGIA DE TRABALHO

Criação de performances de teatro em torno de práticas ligadas à investigação em que a natureza do conflito dramático é tranversal e comum a todos – investigadores, performers e público em geral (por exemplo: uma mosca, uma comichão, uma sede, uma fome, uma paixão, um sonho...). Pretende-se levar à cena, e partilhar com o público, qualquer que seja a sua idade ou motivação, o instante presente, a emoção.

¨Performance curta (cerca de 6 min) em torno de uma experiência hands-on ou de um tema de investigação.

Solo, dueto ou trio de investigadores-actores que desenvolvem um número cómico e/ou poético tendo como pretexto uma experiência científica ou tema de investigação e que acompanham o público na sua descoberta de uma forma burlesca.

¨Cena colectiva de teatro do movimento.

Todos os investigadores-actores envolvidos neste projecto são convidados a juntar-se para criarem uma cena de colectivo que se apoia no movimento dos corpos em coro para retratar de forma humorística procedimentos quotidianos comuns a todos os investigadores.